Os atletas finlandeses Jyri Manninen e Sari Laitinen, contam porque escolheram o Brasil para seus treinamentos de Jiu-Jitsu. Dedicando-se em tempo integral no Centro de Treinamento Demian Maia, em São Paulo, tiveram 5 meses de treinamento intensivo, fizeram atuações marcantes em campeonatos brasileiros e conquistaram várias medalhas.
Nesta semana, embarcam para os Estados Unidos, onde representarão a Academia Demian Maia/Brasa no Campeonato Mundial, em 3 e 6 de junho, em Long Beach, na Califórnia, em busca de mais títulos.
De onde vieram
As habilidades dos adolescentes finlandeses em matemática, ciências e leitura são classificadas como as melhores entre os 40 países associados, no mais recente estudo PISA da OCDE sobre crianças em idade escolar do mundo inteiro.
1. Vocês se conheceram praticando Jiu-Jitsu, na Finlândia? Contem um pouco da história de cada um.
Jyri - Treinávamos na mesma academia, em 2005 (GB-GYM, Helsínquia – Finlândia), mas na época Sari estava treinando boxe. Eu estava de olho nela há muito tempo, mas me sentia covarde, e levou muito tempo até eu criar a coragem suficiente para começar a conversa com ela. Finalmente superei meus medos e acabou que ela não era tão assustadora assim! Na verdade, ela era uma pessoa super legal e eu achei muito fácil de falar com ela (foi a primeira vez que aconteceu isso comigo!). Gostaria de dizer que nós nos apaixonamos, compramos uma casa, um carro da família e vivemos felizes para sempre, com cinco filhos, mas não foi isso que aconteceu. Dois meses depois disso, eu viajei para o Brasil pela primeira vez. Eu fiquei oito meses. Mas, mesmo durante a minha viagem, ficamos em contato e Sari veio ver-me por duas semanas no meio na minha estadia. Quando eu voltei da minha primeira visita ao Brasil, nós ficamos juntos novamente, decidimos que ainda gostávamos um do outro e estamos juntos desde então. Este foi também o momento em que eu fiz Sari perceber que o Brazilian Jiu-jitsu é a única verdadeira arte marcial, e ela trocou o kick-boxing pelo Jiu-Jitsu.
Jyri – Desde que voltei da minha primeira visita ao Brasil, eu tive um sonho de voltar ao país. Juntos, a Sari e eu, começamos a planejar a viagem durante cerca de dois anos, eventualmente, em segredo. Nós trabalhamos muito, começamos a poupar dinheiro, vivíamos uma vida modesta e treinavámos quando podíamos. Sempre tivemos o objetivo – Brasil – em nossas mentes. Eu acho que uma pessoa finlandêsa acha fácil adaptar-se ao estilo de vida brasileiro. A comida não é muito diferente da nossa e as pessoas são ótimas e solícitas. A coisa mais difícil de se acostumar é com a falta de pontualidade do brasileiro particularmente. Se o treinamento está marcado para começar às 11h00 realmente começa às 11h30:)!
Eu fiz dois meses de aulas de português na minha primeira viagem e depois que eu me dediquei a tentar aprender ouvindo e falando. Acho que posso dizer que eu posso falar português, apenas não muito fluente – ainda!
Como Jyri disse, é muito fácil de se adaptar à cultura brasileira. Gosto das pessoas daqui, a comida é boa, o clima é agradável e quente ( a maior parte do tempo) e eu gosto da língua também. Tenho aprendido algumas palavras em português, mas não tanto quanto eu gostaria. No início Jyri estava me ensinando algumas noções básicas, mas quando comecei a treinar realmente duro nós não tivemos tempo nem energia para estudar. Então eu tento escutar atentamente o que as pessoas dizem e como dizem e tentar aprender dessa maneira. A TV ajuda. Eu assisto programas em Inglês e tento ler as legendas em português ao mesmo tempo e aprender algumas palavras dessa maneira. Até o final da nossa viagem, espero ter aprendido muito mais que eu sei agora!
Jyri – Cerca de cinco anos atrás, Demian estava dando um seminário na nossa academia, na Finlândia. Eu comecei a conhecê-lo um pouco depois e eu estava totalmente rendido à sua técnica de Jiu-jitsu. Ele fez isso parecer tão fácil e eu queria saber o mesmo Jiu-Jitsu. Foi quando eu fiz minha primeira viagem ao Brasil para a Academia Demian Maia. Acho que naqueles dias não havia aqui muitos “gringos” em volta e minha aceitação na academia foi incrível. Eu adorava o Brasil, São Paulo, os caras da academia e o nível do meu jiu-jitsu ultrapassou meus sonhos mais otimistas. Durante minha visita tive oportunidade de conhecer melhor o Demian no dia-a-dia posso chamá-lo um bom amigo. Então, para responder por que escolheu o Demian Maia Training Center? Para nós, a escolha foi natural.
4. Qual a rotina de treinamento que vocês mantiveram nesses 5 meses? Como foram recebidos?
Jyri - Eu tive meus altos e baixos. Mas, para citar alguns, eu lutei o Paulista I etapa e fiquei em segundo lugar na minha categoria (superpesado) e terceiro no Absoluto. Eu luto na categoria faixa roxa. No campeonato brasileiro CBJJE eu ganhei a minha categoria após quatro lutas duras! Treinei muito forte para chegar a vencer!
Jyri – Sim, nós voltaremos para o Brasil e pretendemos manter o treinamento, mas talvez não tão forte como nós treinamos nossa primeira metade da viagem. Depois do Mundial é hora de relaxar um pouco e tentar melhorar a técnica tanto quanto possível. Quanto à carreira … Se tudo correr como planejado, você nunca sabe, pode haver uma chance de transformar um hobby em um estilo de vida. Mas, para ganhar a vida com a arte marcial na Finlândia é muito muito muito difícil. Vamos ver o que acontece …
Jyri - Meu sonho é ser capaz de viver do jiu-jitsu. Ensinar os alunos, lutando nos campeonatos, dar seminários em todo o mundo e eu estou trabalhando duro para alcançar esse sonho. Mas como eu disse antes, na Finlândia, é muito difícil. Mas vamos ver, talvez a gente não fique na Finlândia para o resto de nossas vidas. Para o Brasil eu virei sempre que tiver chance. Não só para ver meus bons amigos e me divertir, mas para aguçar meu jiu-jitsu e aprender a novos truques no jogo. E de preferência que viria com todos os meus cinco filhos (quatro meninos e uma menina) que estou planejando fazer!
Jyri & Sari – Muito obrigado! Tudo o que conseguimos nos últimos meses foi graças à Academia Demian Maia!
O site OLutador.com encontrou nos arquivos fotos de Jury e Sari em ação
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Graduação de Sari: faixa azul das mãos do mestre
Demian Maia

Demian Maia, Sari Laitinen e Jyri Manninen

















